FMFi - Fórum de Mulheres no Fisco

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Em busca da equidade

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Freud à mãe de homossexual e Nota do Conselho Regional de Psicologia

"Homossexualidade é apenas um outro tipo de amor, e amor é a única maneira de ter felicidade!"
Carta de Freud à mãe de um homossexual
19 de abril de 1935
“Minha querida Senhora,
Lendo a sua carta, deduzo que seu filho é homossexual. Chamou fortemente a minha atenção o fato de a senhora não mencionar este termo na informação que acerca dele me enviou. Poderia lhe perguntar por que razão? Não tenho dúvidas que a homossexualidade não representa uma vantagem, no entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não supõe vício nem degradação alguma.
Não pode ser qualificada como uma doença e nós a consideramos como uma variante da função sexual, produto de certa interrupção no desenvolvimento sexual. Muitos homens de grande respeito da Antiguidade e Atualidade foram homossexuais, e dentre eles, alguns dos personagens de maior destaque na história como Platão, Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, etc. É uma grande injustiça e também uma crueldade, perseguir a homossexualidade como se esta fosse um delito. Caso não acredite na minha palavra, sugiro-lhe a leitura dos livros de Havelock Ellis.
Ao me perguntar se eu posso lhe oferecer a minha ajuda, imagino que isso seja uma tentativa de indagar acerca da minha posição em relação à abolição da homossexualidade, visando substituí-la por uma heterossexualidade normal. A minha resposta é que, em termos gerais, nada parecido podemos prometer. Em certos casos conseguimos desenvolver rudimentos das tendências heterossexuais presentes em todo homossexual, embora na maioria dos casos não seja possível. A questão fundamenta-se principalmente, na qualidade e idade do sujeito, sem possibilidade de determinar o resultado do tratamento.
A análise pode fazer outra coisa pelo seu filho. Se ele estiver experimentando descontentamento por causa de milhares de conflitos e inibição em relação à sua vida social a análise poderá lhe proporcionar tranqüilidade, paz psíquica e plena eficiência, independentemente de continuar sendo homossexual ou de mudar sua condição.”
Sigmund Freud
A_Letter_from_Freud_to_a_mother_of_a_homosexual_-1935-_1


HOMOFOBIA ← clique na palavra e leia mais sobre o assunto

Nota do Conselho Regional de Psicologia 9ª Região em Defesa da Resolução CFP nº 01/99

Nota em Defesa da Resolução CFP nº 01/99

O Conselho Regional de Psicologia 9ª Região vem a público manifestar sua preocupação em relação à decisão do juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho.

Na última sexta-feira, 15 de setembro de 2017, o juiz concedeu liminar que abre possibilidade para o uso de terapias de reversão sexual.

O Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais de Psicologia, de acordo com a legislação vigente, são as instâncias legais responsáveis por orientar e fiscalizar o exercício profissional da Psicologia enquanto ciência e profissão em território brasileiro.

Sendo assim, são instâncias com autoridade para a elaboração de resoluções que norteiam a prática de nossa profissão.

A Resolução n. 01 do CFP foi aprovada em 22 de março de 1999 após análise de denúncias sobre a ocorrência de práticas de “tratamento da homossexualidade” por parte de      profissionais da Psicologia e tendo em conta o consenso vigente na comunidade científica internacional, os princípios básicos da Constituição Federal e os compromissos mais elementares em favor dos direitos humanos.

A norma estabelece que psicólogas e psicólogos tenham total liberdade para o exercício profissional, o que é garantido pelos Conselhos Regionais e Federal. Isso diz respeito à área que escolhem para trabalhar, ao suporte teórico que selecionam e a muitas outras dimensões profissionais, mas ela deve ser regida pelos princípios éticos da profissão.

Vale destacar que a Resolução CFP nº 1/1999 não cerceia o profissional.

Compreende-se que a função precípua do profissional seja acolher o sofrimento. Não há dispositivo editado pelo CFP que impeça o atendimento, tampouco que proíba o profissional de acolher o sujeito que chega ao consultório, ao hospital, ou em qualquer outro espaço que se encontre o trabalho da Psicologia.

Faz-se ainda necessário repetir: não se trata de negar a escuta psicológica a alguém que queira mudar a sua orientação sexual. Mas sim, de não admitir ações de caráter coercitivo e dirigidas por viés ideológico, sem bases científicas para a proposição de tratamento que busque a reversão da orientação sexual.

A homossexualidade não constitui doença para carecer de tratamento, nem distúrbio e tampouco perversão. Nesse sentido, a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações.

É necessário ressaltar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de doenças desde o dia 17 de maio de 1990. Reforça-se que em 2009, no encontro anual da Associação Americana de Psicologia concluiu-se que não há evidencias científicas que apoiem o uso de intervenções psicológicas para a (re)orientação sexual. O mesmo encontro encorajou profissionais da saúde mental a promover atenção às pessoas que buscam a mudança na orientação sexual através de competências afirmativas multiculturais e abordagens centradas no cliente que reconheçam o impacto negativo do estigma social sobre grupos minoritários e sempre equilibrem princípios da beneficência e não maleficência, justiça e respeito pelos direitos humanos e dignidade.

O Conselho Regional de Psicologia 9ª Região destaca ainda que, desde o inicio deste ano tem participado de reuniões na sede do Conselho Federal de Psicologia juntamente com um coletivo diverso de entidades em defesa da Resolução CFP 001/1999, reforçando a função do Sistema Conselhos de Psicologia na orientação e fiscalização da prática profissional com bases científicas.

Acreditamos no respeito aos Direitos Humanos e orientamos psicólogas e psicólogos a se posicionarem eticamente no amplo esforço na direção da garantia e promoção de direitos, através de praticas psicológicas fundamentadas cientificamente.

FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco Em busca da equidade e na Luta pela Democracia!  manifesta-se por Amor, Equidade e Respeito!


A T E N Ç Ã O:


Posição do Fórum de Mulheres - FMFi:

Golpistas, Racistas, Sexistas, Fascistas, Machistas, não passarão!
Não ao voto em ‘golpista’, FMFi reafirma seu compromisso pela Democracia!

“(...) A violência baseada no gênero, não importando a forma como se apresenta, é uma violação dos direitos humanos passível de condenação por todos os estados-parte da Declaração de Genebra. O Brasil como signatário dessa declaração, obriga-se a cumpri-la e sua política nacional deve ser pautada pelos seus fundamentos.
Portanto, o FMFi - Fórum de Mulheres no Fisco conclama toda a sociedade a repudiar toda e qualquer atitude, machista, homofóbica e preconceituosa que ponha em risco a harmonia entre homens e mulheres, independente de etnia, classe social ou condição.”


HOMOFOBIAclique na palavra e leia mais sobre o assunto

Homofobia – Você sabe o que é? Como identificar? Como Denunciar? Você sabia? Homofobia deve ser tratada como doença e também pode revelar homossexualidade?Confira isso e muito mais em:
HOMOFOBIA  http://t.co/A8cgpMMZ4n Ser¡Voz!




segunda-feira, 20 de março de 2017

Mulheres no Fisco do Março Lilás - 2017

Mulher: Resistência e Luta!
Café com as Mulheres - Especiais 8 de Março
“É preciso compreender que classe informa a raça. Mas raça, também, informa a classe. E gênero informa a classe. Raça é a maneira como a classe é vivida. Precisamos refletir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero, de forma a perceber que entre essas categorias existem relações que são mútuas e outras que são cruzadas. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras.” (Ângela Davis, Mulheres, Raça e Classe)
“Quando nós, mulheres negras, experimentamos a força transformadora do amor em nossas vidas, assumimos atitudes capazes de alterar completamente as estruturas sociais existentes. Assim poderemos acumular forças para enfrentar o genocídio que mata diariamente tantos homens, mulheres e crianças negras. Quando conhecemos o amor, quando amamos, é possível enxergar o passado com outros olhos; é possível transformar o presente e sonhar o futuro. Esse é o poder do amor. O amor cura.” (Bell Hooks – Tradução de Maísa Mendonça, Vivendo de Amor)

MULHER NEGRA E PREVIDÊNCIA SOCIAL SÃO TEMAS DE SEMINÁRIO NA SEFAZ /CE
Se ser mulher ainda é difícil no Brasil, ser mulher e negra é enfrentar além do machismo o racismo, portanto dificuldades em dobro.  A questão, mais atual do que nunca, foi assertivamente abordada no seminário “Mulher, Resistência e Luta” promovido quinta-feira, 16 de março, pelo SINTAF, no auditório da SEFAZ. O Fórum de Mulheres no Fisco - FMFi esteve presente com a coordenadora Alexandrina Mota e a assessora de imprensa Silvia Carla Araújo.
Sílvia Carla e Alexandrina Mota
O assunto mais comentado do momento, a reforma da previdência, foi tratado na perspectiva da mulher trabalhadora pela representante do SINTAF e também coordenadora do FMFi, Ana Maria Cunha. Com as novas regras, a mulher, já sobrecarregada pela dupla e até tripla jornada de trabalho (na empresa, cuidando dos filhos e marido e da organização da casa) terá que trabalhar o mesmo tempo que o homem, ou seja, cinco anos a mais. Ana Maria acredita que só uma mobilização nacional com adesão maciça das mulheres poderá reverter essa que será a pior herança desse governo.
A mulher negra
A política de encarceramento que vitima, em sua maioria, mulheres negras, jovens e de baixa renda foi  abordada por Sara Menezes, militante do movimento iNegra. Até o sagrado direito de escolher uma religião e praticá-la ainda é uma luta se essa religião for o candomblé, trazida pelos negros escravizados e incorporada à cultura brasileira. Os terreiros, onde predominam mulheres negras, são alvos constantes de perseguição. A professora da UNILAB, Patrícia Matos, falou da perseguição sofrida pelas praticantes dos cultos afros em flagrante e constante desrespeito à nossa Constituição.
Sílvia Carla e Alexandrina Mota

*Silvia Carla Araújo Rocha
JORNALISTA PROFISSIONAL
 (85) 9904.3443/ 8942.5390

Café com as Mulheres Especiais 8 de Março
Por Marcelo Pires*
"Café com as Mulheres" (especiais 8 de Março), que tem dois objetivos principais: trazer à reflexão e ao debate algumas questões do feminismo na perspectivas das mulheres feministas socialistas, feministas negras e fatos/ personagens históricas invisibilizadas, e também como uma modesta homenagem que presto às mulheres e suas lutas! Grato. Marcelo Pires
“O Dia Internacional da Mulher, como data de forte significado para o movimento de mulheres que se desenvolvia na Europa no período de passagem do século 19 para o século 20 e, na atualidade, para as mulheres de todo o mundo, não surgiu do nada, assim como todo acontecimento histórico. Seu nascimento teve como base ideológica as teorias socialistas da segunda metade do século 19. E não podia ser de oura forma, já que foram os socialistas os que dedicaram mais espaço em seus escritos e mais tempo em suas atividades políticas à chamada “questão da mulher”. Conscientes da situação de inferioridade e opressão que as mulheres sofriam na sociedade e na família, e de que a posição delas havia piorado com seu acesso ao trabalho remunerado, os socialistas faziam coincidir as causas das mulheres com as do proletariado já que, segundo suas teorias, a solução de todos os problemas de ambos os grupos estava na futura sociedade socialista, na qual a propriedade privada dos meios de produção, raiz de todos os males da sociedade capitalista, seria eliminada. Portanto, para que as mulheres participassem na luta proletária e para que a revolução socialista fosse bem sucedida - promessa de um futuro portador de esperanças para mulheres e operários-, era necessário incluí-las nos programas dos partidos socialistas e desenvolver um intenso trabalho de agitação e educação política entre elas, educação a que as mulheres jamais tinham tido acesso.” (Ana Isabel Álvarez González, As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres)

“Um 8 de março militante é parte do projeto de construção de um movimento de mulheres forte, capaz de atuar em conjunto com outros movimentos sociais, aglutinando as militantes organizadas também nos movimentos e organizações sociais mistos, em torno de uma plataforma que articule a luta pela igualdade entre mulheres e homens com a luta pela transformação das relações de classe e de raça. Em síntese, trata-se de atuar para que uma perspectiva que integre a luta pela igualdade, anticapitalista, antirracista e antipatriarcal seja o eixo estruturador do movimento de mulheres, um movimento feminista e socialista. ” (Ana Isabel Álvarez González, As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres)
Dando continuidade às tirinhas do Café com as Mulheres em homenagem ao 8 de março, a partir de amanhã até o dia 31/03 compartilharemos algumas contribuições de mulheres feministas africanas, marxistas, cientistas, negras, brasileiras, invisibilizadas pelo patriarcado e pelo capitalismo, silenciadas pelo machismo e pela misoginia das estruturas positivistas dos currículos escolares, das disciplinas universitárias, das pautas jornalísticas... A cada dia que passa, a cada nova leitura percebo o quanto ainda temos a aprender com e sobre as mulheres, suas histórias e suas lutas.
A todas as mulheres, neste 8 de março: parabéns e obrigado por lutarem! A luta das mulheres é a mais justa, a mais digna e a mais longa!
Até amanhã com mais uma tirinha...
(Marcelo Pires)
Arte: Poeta Arienaldo Viana
“Resgatar as realizações de grandes mulheres cientistas - de Hipatia, a famosa matemática da Grécia antiga, a Marie Curie - tornou-se uma tarefa central na década de 1970. Dois desafios tornavam esse projeto urgente. O primeiro era a necessidade de encontrar mulheres que haviam de fato criado ciência para se opor à noção de que as mulheres simplesmente não podem fazer ciência, que algo na constituição de seus cérebros ou corpos impede progresso neste campo. O segundo era o desejo de criar modelos de papéis para mulheres jovens ingressando na ciência  para contrabalançar estereótipos masculinos.” (Londa Schienbinger, O Feminismo Mudou a Ciência?)

 “É necessário insistir nos aspectos sombrios da vida de matrimonial hoje, sobre o sofrimento das mulheres que estão intimamente ligadas às estruturas familiares atuais. Há muito o que há dito sobre este assunto. A literatura está cheia de caixas-pretas que pintam a nossa desordem familiar e matrimonial. Neste campo, quantas tragédias psicológicas, quantas vidas mutiladas, quantas existências envenenadas! Por enquanto, só importa ressaltar que a atual estrutura familiar oprime as mulheres de todas as classes e condições sociais. Costumes e tradições perseguem a mãe solteira da mesma forma, seja qual for o setor da população a que pertence, as leis colocam sob a tutela do marido tanto a mulher burguesa, como a proletária e a camponesa.” (Alexandra KollontaiOs Fundamentos Sociais da Questão Feminina)


“Se este sexo altivo quer fazer-nos acreditar que tem sobre nós um direito natural de superioridade, por que não nos prova o privilégio, que para isso recebeu da Natureza, servindo-se de sua razão para se proclamarem os “vencedores”? Têm porventura eles alguns títulos para justificar o direito com que reclamam os nossos serviços, que nós não tenhamos contra eles?” (Nísia Floresta, Direitos das mulheres e injustiça dos homens)

“Vivendo numa sociedade fundamentalmente anti-intelectual e difícil para os intelectuais comprometidos e preocupados com mudanças sociais radicais, é preciso afirmar sempre que o trabalho que fazemos tem impacto significativo nos círculos políticos progressistas, nos quais o trabalho dos intelectuais raramente é reconhecido como uma forma de ativismo. Na verdade, expressões mais visíveis de ativismo concreto (como fazer piquetes nas ruas ou viajar para um país do Terceiro Mundo e outros atos de contestação e resistência) são consideradas mais importantes para a luta revolucionária que o trabalho mental. E é essa desvalorização do trabalho intelectual que muitas vezes torna difícil para indivíduos que vêm de grupos marginalizados considerarem importante o trabalho intelectual, isto é, vê-lo como uma atividade politicamente útil.”  (Bell Hooks, Intelectuais Negras


“O enorme espaço que o trabalho ocupa hoje na vida das mulheres negras segue um padrão estabelecido nos primeiros dias da escravidão. Como escravas o trabalho compulsono obscurecia todos os outros aspectos da existência das mulheres. Parece pois que o ponto de partida para uma investigação da vidas das negras sob a escravidão seria uma avaliação de seus papeis como trabalhadoras.” (Ângela Davis, Gênero, Raça e Classe)
“A aspiração das mulheres à igualdade de direitos não pode ser plenamente satisfeita apenas pela luta por emancipação política, a obtenção de um doutoramento ou outras qualificações acadêmicas, ou um salário igual ao mesmo posto de trabalho. Para se tornar verdadeiramente livre, a mulher deve desatar as correntes que o joga sobre a forma atual, antiquada e opressiva da família. Para as mulheres, a solução para o problema familiar não é menos importante do que a conquista da igualdade política e o estabelecimento da independência econômica completa.” (Alexandra Kollontai, Os Fundamentos Sociais da Questão Feminina)

“Uma publicação de 1981 de estudos sobre a saúde da mulher descobriu que, em relação ao estudo sobre mulheres, havia duas vezes mais pesquisas sobre mulheres relacionadas ao parto e criação de filhos do que a outros problemas de saúde. Apesar deste foco na saúde reprodutiva, nenhum dos mais de 15 institutos e centros que constituem o Instituto Nacional de Saúde e Desenvolvimento Humano (EUA) dedica-se à ginecologia e obstetrícia. No final da década de 1980 este que é o maior instituto de pesquisa em saúde humana, contava com apenas três obstetras-ginecologistas em sua equipe permanente, e empregava mais veterinários (quinze) que ginecologistas. Obstetrícia e ginecologia têm sido parte do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano onde o foco é a saúde de bebês e crianças, e não mulheres que deram à luz a elas.”  (Londa Schienbinger, O Feminismo Mudou a Ciência?)


“Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada.” (Naomi Wolf, O Mito da Beleza)


→ Wolf nasceu em São Francisco, em 1962, com ascendência judia, é filha dos também escritores, Deborah Goleman, antropóloga e autora de "The Lesbian Community" e Leonard Wolf. Foi casada com o antigo assistente e escritor dos discursos de Bill Clinton, David Shipley, com quem teve dois filhos, divorciando-se em 2005.
“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.” (Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo)                     
Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo, ela trabalhava como catadora e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo. Ela é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.

Zenilse Rebouças - Alexandrina Mota - Sônia Gomes
“A competição das mulheres dentro do mercado de trabalho é a força que move a resistência dos homens contra as demandas daqueles que advogam pelos direitos das mulheres burguesas. Pura e simplesmente, medo da competição. Todas as outras razões que são listadas contra o trabalho feminino qualificado, como o cérebro feminino ser menor e a tendência natural das mulheres a serem mães são apenas pretextos. Esta batalha coloca as mulheres deste estrato social diante da necessidade de exigir seus direitos políticos, lutando politicamente, derrubando todas as barreiras que foram criadas contra a sua atividade econômica.” (Clara Zetkin, Apenas junto com as mulheres proletárias o socialismo será vitorioso)

Sônia Gomes (FMFi) no 8 de Março 2017
“Os resultados de estudos sobre homens, os diagnósticos decorrentes, medidas preventivas e tratamentos foram, de modo geral, extrapolados para mulheres. Seria altamente incomum presumir que os resultados de estudos sobre mulheres fossem aplicáveis aos homens. As mulheres também foram excluídas de experiências com drogas, embora elas consumam aproximadamente 80 por cento das drogas medicinais nos Estados Unidos. [...] Os investigadores defenderam a escolha de homens como sujeitos de pesquisa, com o pretexto de que os homens são mais baratos e mais fáceis de estudar. Os ciclos hormonais femininos normais são considerados problemas metodológicos que complicam a análise e a tornam mais custosa.”   (Londa Schienbinger, O Feminismo Mudou a Ciência?)

Debate sobre Reforma da Previdência e
lançamento de cartilha de bolso e bolsa da
Mulher Empoderada
Sônia Gomes / Deputada Federal Luizianne Lins
Zenilse Rebouças / Alexandrina Mota
“Quando eu vou na cidade tenho a impressão de que estou no paraíso. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas. Aquelas paisagens há de encantar os visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas úlceras. As favelas.” (Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo)

“Se cada homem, em particular, fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós somos próprias, se não para procriar e nutrir nossos filhos na infância, reger uma casa, servir, obedecer e aprazer aos nossos amos, isto é, a eles, homens [...]. Entretanto, eu não posso considerar esse raciocínio senão como grandes palavras, expressões ridículas e empoladas, que é mais fácil dizer do que provar.” (Nísia Floresta, Direitos das mulheres e injustiça dos homens)
“Eu não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas.” ( Mary Wollstonecraft, Reivindicação dos direitos da mulher)

"Quando seu filho está chateado e chora, você diz a ele: "Não, não chore, seja duro". Eu não gosto disso. Acho que deveríamos falar mais para os meninos sobre a ideia de vulnerabilidade, não fazê-los pensar que eles precisam provar que são fortes. Isso é parte do problema com a masculinidade, é parte do problema de os homens serem emocionalmente reprimidos. Porque eles não aprenderam isso, não receberam as ferramentas para isso. A gente precisa redefinir masculinidade.Também acho que há certas coisas que nós ensinamos aos meninos que nós precisamos ensinar às meninas também. A ideia de ser confiante, de não se desculpar por defender suas ideias, seus direitos." (Chimamanda Ngozi Adichie, Entrevista à BBC)

“Historicamente, então, os modelos médicos das diferenças sexuais operaram de vários modos. A "ciência sexual" tipicamente usou provas médicas para defender a desigualdade social das mulheres, usando um paradigma da radical diferença física e intelectual. Na medicina de modo geral, quando a saúde está em jogo, a pesquisa vacilou entre ressaltar a igualdade e a diferença. Este legado levou pesquisadores atuais a supor que as doenças de homens e mulheres são semelhantes, quando de fato não são; ou que as doenças de homens e mulheres são diferentes, quando de fato são semelhantes. O paradigma da igualdade teve como consequência que certos aspectos da saúde das mulheres fossem pouco estudados, como por exemplo, a interação entre a terapia de estrógeno e doenças cardiovasculares. O paradigma da diferença radical foi proeminente no diagnóstico, em que as queixas das mulheres, geralmente, são descartadas como psicossomáticas. (Atribui-se a proporções mais altas de mulheres, que de homens, diagnósticos de "sintomas e sinais não específicos" tanto nos registros de serviços de saúde como em atestados de óbito.)” (Londa Schienbinger, O Feminismo Mudou a Ciência?)

"De fato, deve-se a Marx e a Engels o estabelecimento, pela primeira vez, da relação entre a revolução socialista, da libertação das mulheres e a luta pela igualdade de direitos, conceitos que se repetirão ao longo deste ensaio por serem os motivos que inspiraram, em suas origens, o Dia Internacional da Mulher. O que as mulheres buscavam no socialismo era o reconhecimento e o respeito a seus direitos, bem como o instrumento que as conduziria, junto ao restante dá humanidade, à sua libertação."(Ana Isabel Alvarez González, As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres)

"A revolução do proletariado, que acaba de começar, não pode ter nenhum outro fim nem nenhum outro resultado a não ser a realização do socialismo. Antes de tudo, a classe operária precisa tentar obter todo o poder político estatal. Mas para nós, socialistas, o poder político é apenas meio. O fim para o qual precisamos utilizar o poder é a transformação radical da situação econômica como um todo." (Rosa Luxemburgo, A Socialização da Sociedade)

"A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes."
(Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels)

Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da Natureza orgânica, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da história humana: o simples fato, até aqui encoberto sob pujanças ideológicas, de que os homens, antes do mais, têm primeiro que comer, beber, abrigar-se e vestir-se, antes de se poderem entregar à política, à ciência, à arte, à religião, etc; de que, portanto, a produção dos meios de vida materiais imediatos (e, com ela, o estágio de desenvolvimento econômico de um povo ou de um período de tempo) forma a base, a partir da qual as instituições do Estado, as visões do Direito, a arte e mesmo as representações religiosas dos homens em questão, se desenvolveram e a partir da qual, portanto, têm também que ser explicadas — e não, como até agora tem acontecido, inversamente. (Friedrich Engels, Discurso Diante do Tumulo de Karl Marx , 1883)

"O ciumento necessita de um escravo; o ciumento pode amar, mas o amor é para ele apenas um sentimento extravagante; o ciumento é antes de tudo um proprietário privado." (Sobre o Suicídio, Karl Marx)
"Graças à cooperação da mão, dos órgãos da linguagem e do cérebro, não só em cada indivíduo, mas também na sociedade, os homens foram aprendendo a executar operações cada vez mais complexas, a propor-se e alcançar objetivos cada vez mais elevados. O trabalho mesmo se diversificava e aperfeiçoava de geração em geração, estendendo-se cada vez a novas atividades. A caça e à pesca veio juntar-se a agricultura, e mais tarde a fiação e a tecelagem, a elaboração de metais, a olaria e a navegação. Ao lado do comércio e dos ofícios apareceram, finalmente, as artes e as ciências; das tribos saíram as nações e os Estados. Apareceram o direito e a política, e com eles o reflexo fantástico das coisas no cérebro do homem: a religião. Frente a todas essas criações, que se manifestavam em primeiro lugar como produtos do cérebro e pareciam dominar as sociedades humanas, as produções mais modestas, fruto do trabalho da mão, ficaram relegadas a segundo plano, tanto mais quanto numa fase muito recuada do desenvolvimento da sociedade (por exemplo, já na família primitiva), a cabeça que planejava o trabalho já era capaz de obrigar mãos alheias a realizar o trabalho projetado por ela."  (O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem, Friederich Engels)
"Se a união é verdadeiramente necessária, escrevia Marx aos dirigentes do partido, façam acordos para realizar os objetivos práticos do movimento, mas não cheguem, ao ponto de fazer comércio dos princípios, nem façam "concessões" teóricas. Tal era o pensamento de Marx, e eis que há entre nós pessoas que, em seu nome, procuram diminuir a importância da teoria! Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário. Não seria demasiado insistir sobre essa ideia em uma época, onde o entusiasmo pelas formas mais limitadas da ação prática aparece acompanhado pela propaganda em voga do oportunismo." (Que Fazer? Vladimir Lenin)

* Marcelo Pires Mendonça - Professor de História da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal
WattsApp: 55 61 98199 4747

Leia Também: 

REFLEXÕES ACERCA DA OBRA DE LONDA SCHIENBINGER
 Ao relatar as consequências das desigualdades de gênero nas áreas médica e farmacêutica, Londa Schienbinger demonstra como o patriarcado influenciou de tal forma a ciência que levou pesquisadores a supor que as doenças de homens e mulheres eram semelhantes, quando de fato não eram; ou que as doenças de homens e mulheres eram diferentes, quando de fato eram semelhantes. Desta forma, inúmeros aspectos da saúde das mulheres têm sido pouco estudados ou até mesmo negligenciados.
*por: Luciana da Luz Silva e Marcelo Pires Mendonça
16 de março de 2017
Fonte: Diplomatique.org

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Moção: Djacy Oliveira

 MOÇÃO Nº 1/2017.
        Companheiras e companheiros,
        O Fórum de Mulheres no Fisco - FMFi manifesta o mais sincero pesar aos familiares do radialista Djacy Oliveira e a toda a comunidade sindical que perdeu um amigo e um defensor profícuo das causas sociais e dos injustiçados. A despeito de muitas de nós acreditarmos na continuação da vida após o desencarno, lamentamos profundamente a partida precoce do companheiro de militância que deu voz às lutas sociais tantas vezes renegadas pela mídia golpista que esqueceu que o verdadeiro papel da imprensa é informar com fidelidade, dando voz a todos os lados envolvidos com ética e responsabilidade. Com o seu “Mundo do Trabalho”, programa veiculado pela Rádio Universitária, Djacy foi a voz do trabalhador, da mulher, dos LGBTs e das minorias étnicas. Obrigada companheiro Djacy, siga em paz!

Fortaleza, 20 de janeiro de 2017.

                              Coordenação do Fórum de Mulheres no Fisco – FMFi

Coordenadoras do FMFi: Sandra Pedrosa, Gláucia Lima
Ana Maria Cunha - Presidenta da AFBNB: Rita Josina -
Vice -presidente da Casa Brasil/Cuba: Francisco Malta -
participam do Programa de Rádio Mundo do Trabalho
com
Djacy Oliveira
FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco Em busca da equidade e na Luta pela Democracia!
Djacy Oliveira faleceu na manhã do dia 12 de janeiro. Radialista, produtor e apresentador do programa *Mundo do Trabalho*, aos Sábados na Rádio FM Universitária de Fortaleza. Djacy sofreu um assalto no dia anterior num restaurante onde almoçava, por volta das 13h, levou um tiro, foi socorrido e levado para o IJF, onde foi submetido a cirurgia. Manhã seguinte, por volta das 5h, teve uma parada cardíaca e faleceu.

Comunicador e radialista, Djacy criou a Revista Instigada* - sua revista eletrônica 

 

*Revista Instigada

revistainstigada.blogspot.com/

Mundo do Trabalho - Horários: Sábado - 7h às 8h /
Produção e Apresentação: Djacy Oliveira

Programa que trata de temas ligados ao universo do trabalho. Reúne notícias e questões ligadas a associativismo, cooperativismo, sindicalismo, economia mundial, assédio moral, redução da jornada de trabalho, autogestão, protagonismo, questões de gênero, consumo crítico, desenvolvimento sustentável, entre outros.
_no link acima, publicação do INFORMAFi = Informativo do FMFi na Revista Instigada.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Grandes Mulheres e seus momentos em 2016. Retrospectiva que vale lembrar!

Mulheres inspiradoras que tornaram o ano de 2016 um pouco melhor! 

Impossível listar todas as mulheres que nos inspiraram em 2016 – logo, precisamos escolher.
Este foi o ano que nos deixou atônitas, como se mulheres incríveis brotassem consecutivamente em todos os lugares – na música, na internet, no jornalismo, no cinema, na política, nas escolas, nos realitys de culinária...
Se não fosse de um prazer orgástico, teria sido difícil acompanhar todas.
Portanto, por mais acusações (justas) que pesem contra 2016, ninguém pode lhe negar esse mérito: nós conhecemos mulheres fantásticas. As palavras mulher e poder estiveram juntas algumas vezes, e as palavras mulher e força estiveram juntas sempre.
Essa lista deveria ser quilométrica (mas ninguém teria paciência pra terminar de ler).
Não fugi à tarefa quase masoquista de listar apenas algumas – em ordem alfabética, porque em ordem de preferência já é demais.
1. Amara Moira – Em plena fogueira que se tornou a discussão em torno da prostituição – até mesmo internamente, no próprio movimento feminista – a escritora e doutoranda transexual Amara Moira lançou o livro “E se eu fosse puta?” em que conta, com uma sinceridade áspera e sob um viés no mínimo pouco visitado – o de que a prostituição deve ser debatida antes de ser demonizada – sua própria história de transição e prostituição. Corajosa, para dizer o mínimo. “E se eu fosse puta” é, aliás, uma leitura mais do que necessária.
2. Ana Júlia Ribeiro – A secundarista que protagonizou o discurso mais bonito e incisivo de 2016 tem só dezesseis anos – mas luta como mulher feita, e eu não poderia deixar de listá-la (se fizesse isso, talvez não conseguisse dormir). A estudante paranaense – que se tornou o rosto das ocupações de 2016 – deu aula de democracia aos deputados da Assembleia Legislativa do Paraná – e ao Brasil. Relembre aqui - https://www.youtube.com/watch?v=oY7DMbZ8B9Y
3. Anna Muylaert – A cineasta Anna Muylaert é a cabeça por trás do premiado “Que Horas Ela Volta”. Através da história de Val (Regina Casé), e sua filha Jéssica – com a atuação brilhante de Camila Márdila – Anna toca com sensibilidade e precisão em pontos adstringentes – e sobre os quais pesa certa urgência didática – da classe média brasileira. O filme é de 2015, mas a representatividade artística e política de Muylaert é atemporal.
4. Clara Averbuck – A escritora Clara Averbuck dialoga tão bem com esta geração que a sensação que se tem é que ela está – no auge de sua didática impecável – numa conversa amistosa com amigos chegados. Clara é uma das fundadoras do portal Lugar de Mulher e autora do romance “Toureando o Diabo” (além de muitos outros títulos) – não por acaso, a história de uma mulher e suas memórias.
5. Cynara Menezes – Idealizadora do blog Socialista Morena, que, segundo ela mesma, é um espaço virtual de ideias e notícias com viés esquerdista. Mas também de literatura, música, cinema, HQ, humor, viagens.
A jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia já transitou por diversos veículos midiáticos, como Jornal da Bahia: Folha de S.Paulo, Estadão, revistas IstoÉ/Senhor, Veja, Vip e Carta Capital, e é atualmente colunista da revista Caros Amigos e do próprio blog: www.socialistamorena.com.br
6. Dilma Rousseff – Talvez o mérito mais notório da Presidenta Legítima – porquanto eleita democraticamente – seja o de não ter se acovardado em momento algum, mesmo pressionada e perseguida – diferente do que fizeram os golpistas. A honestidade de Dilma, em um país em que existem Geddel, Michel Temer e Eduardo Cunha (para ser sucinta nos exemplos), é digna de um prêmio. O Financial Times sabe disso, por isso premiou-a merecidamente como uma das mulheres do ano de 2016, ao lado de Beyoncè e Hilary Clinton. O Brasil lhe deve, além de um pedido de desculpas, todo respeito e admiração.
7. Djamilla Ribeiro – Filósofa, ela é uma das grandes representantes do feminismo negro da atualidade. É feminista, pesquisadora na área de Filosofia Política, colunista da Revista CartaCapital e recentemente foi nomeada secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.
8. Elza Soares – O álbum “A Mulher do Fim do Mundo” é do final de 2015, mas, ao menos pra mim, significou o primeiro espanto positivo com o poder feminino em 2016. Além do mais, foi neste ano que Elza ganhou o Grammy Latino como melhor álbum de música popular brasileira (então tá valendo).
Além do presente que são essas músicas, sobretudo para esta geração, Elza foi a personificação da representatividade, engajada em causas como as questões de gênero e raça. “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim” e “A carne mais barata do mercado é a negra” deveriam ser hinos, se é que não já são.
9. Emma Watson – Nem só de Hermione Granger vive Emma Watson. Além de atriz talentosíssima – ela ganhou nada menos que vinte e um prêmios durante sua carreira – Emma é Embaixadora da Boa Vontade da ONU para Mulheres, ativista feminista e agora professora da Universidade de Harvard. Como se não bastasse, recusou o espartilho no filme “A bela e a fera” – uma escolha no mínimo simbólica no que diz respeito ao enfrentamento à ditadura da beleza – e distribuiu livros feministas com dedicatória no metrô de Londres. Tradução literal do que eu quero ser quando crescer.
10. Fernanda Gentil – A talentosa apresentadora Fernanda Gentil merece o troféu quebradora de paradigmas 2016. Primeiro, respondeu com serenidade e elegância às críticas infundadas sobre o seu corpo. Depois, assumiu seu namoro com a também jornalista Priscila Montandon, resistindo invicta à onda de ataques lesbofóbicos dos quais foi vítima na internet e fora dela.
11. Gleisi Hoffmann – A senadora Gleisi Hoffmann usou seu talento oratório e seu engajamento sagaz em prol da democracia e do Brasil. Foi uma das mais combativas ao golpe no Senado. Clara e firme em seus argumentos, fez com que Cristovam Buarque confessasse – não que todos já não soubessem – a principal motivação do golpe: Os golpistas não ganhariam nas urnas.
12. Jandira Ferghali – Impossível esquecer a cena de Flávio Bolsonaro fingindo desmaio no debate da Band, após ser confrontado incansavelmente por sua oponente Jandira Ferghali. Jandira é uma daquelas mulheres de grelo duro que desmascaram – não que esta seja uma tarefa tão difícil assim – a covardia de certos homens (sexo forte?) da política brasileira. Como sendo, além de combativa, generosa e humana, Jandira – que também é médica – tentou socorrer Flávio durante o patético episódio, mas foi impedida pela falta de bom-senso de Jair Bolsonaro.
Engajada em causas sociais, é autora da Lei Complementar que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas – que claramente seria uma solução possível para o Brasil, acaso Michel Temer não houvesse, em vez disso, optado pelo congelamento de gastos por vinte anos.
13. Letícia Sabatella – Quando penso em Letícia Sabatella, me vem, primeiro, a imagem dela interpretando “Geni e o Zepelim” (e o arrepio que me dá todas as vezes em que assisto). Depois, a imagem de uma mulher serena, de tão segura – o cruzamento exato entre doçura, coragem e altruísmo. Como se não bastasse tudo o que Letícia sempre foi – talentosa, autêntica e politicamente engajada – ela preparou o elenco da peça “Haiti somos nós”. Atenção para a curva dramática: O elenco era formado por haitianos refugiados em São Paulo.
14. Lola Aronovich – Lola Aronovich é uma das mais antigas blogueiras feministas de que se tem notícias. Ela é professora da UFC, doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e escreve desde 2008 em seu Blog “Escreva, Lola, Escreva” (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/) sobre cinema, literatura, política, mídia, e, segundo ela própria, sobre o que mais lhe der na telha, mas também e principalmente sobre feminismo. Em 2016, foi alvo de ameaças de morte por parte de “defensores dos direitos dos homens” – sim, você leu certo – que tentaram, em vão, silenciá-la.
15. Luiza Erudina – Idade tem a ver com alma, dizem, e, se é assim, Erudina não tem os 82 anos que constam em sua carteira de identidade: O vigor é de vinte e poucos. Nenhuma retrospectiva 2016 que se preze pode esquecer dela sentando na cadeira de Eduardo Cunha – o gângster – pra impedir que o então Deputado atropelasse, não por acaso, uma votação de criação de comissões da Mulher, do Idoso, da Criança e do Adolescente, da Juventude e Minorias. Quero chegar aos 82 como ela: repetindo a plenos pulmões que “não queremos que nossas questões sejam decididas por homens”.
16. Madonna – Madonna é muito mais do que a rainha do pop: É uma figura emblemática e representativa, estética e politicamente. Ao aceitar o prêmio merecido de Mulher do Ano, ao invés de limitar-se a agradecer, falou sobre sexismo, misoginia e sua história de luta contra o abuso e a LGBTfobia.
17. Manuela D’ávila – A deputada Manuela D’ávila tem se tornado um ícone feminista na política brasileira. Ela levanta as bandeiras da diversidade sexual e do combate ao machismo – tendo criado uma cartilha que esclarece a questão dos relacionamentos abusivos – enquanto exerce o seu direito de amamentar a filha, a pequena Laura, inclusive em plenária.
18. Marcia Tiburi – Graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia (UFRGS, 1999) e colunista da Revista Cult, Marcia publicou diversos livros de filosofia, dentre eles “Como conversar com um fascista”, sucesso de público e crítica. Ela ofereceu análises lúcidas e didáticas sobre os diversos acontecimentos políticos – quais acontecimentos, afinal, não são políticos? – do país em 2016.
19. MC Carol – Contrariando o elitismo intelectual de quem afirma que “funk não é cultura”, MC Carol nunca precisou abaixar a cabeça para os padrões da chamada boa música brasileira. Negra, gorda e periférica, ela é a própria personificação da representatividade das minorias. A funkeira, que, além dos padrões musicais, quebra também padrões estéticos e, porque não dizer, políticos, compôs a música “Delação”, um retrato cru e brasileiríssimo do cenário político do país.
20. Nana Queiroz – Diretora de redação da revista AzMina – uma das revistas feministas que mais se destacaram em 2016 e finalista do prêmio “Troféu Mulher IMPRENSA”, é autora do livro “Presos Que Menstruam”, uma narrativa tocante e urgente sobre as encarceradas brasileiras.
21. Rafaela Silva – O Brasil não esquecerá – a menos que seja muito ingrato – o nome da judoca Rafaela Silva, que trouxe o primeiro ouro para o Brasil nas Olimpíadas Rio 2016. Negra e pobre, Rafaela foi beneficiada pelo programa Bolsa Pódio, criado em 2011, durante o governo Dilma. O incentivo, somado ao talento e à perseverança inesgotáveis de Rafaela, tornaram-na exemplo de atleta e – como não deixaria de ser – de mulher.
22. Vanessa Graziottin – Ao lado de Gleisi, a também senadora Vanessa Graziottin teve um papel crucial no embate entre defensores da democracia e defensores do golpe no Senado. Em razão de sua postura, ela foi atacada e silenciada pelo também Senador Renan Calheiros – tendo respondido sempre à altura. Foi ela, também, quem inquiriu Janaína Paschoal – que deveria estar na lista de mulheres “desinspiradoras” de 2016 – levando-a a confessar ter recebido 45 mil reais do PSDB pela petição do golpe. Ver mulheres como Vanessa e Gleisi no Senado renova nossas esperanças de mais mulheres – em quantidade e qualidade – ocupando os lugares de poder no Brasil.
23. Viola Davis – A atriz Viola Davis é a primeira negra a ganhar o Emmy, mas isso não é tudo: Ao receber o prêmio, a protagonista de How to get away with murder fez um discurso inesquecível e com força política inquestionável: “Deixem-me dizer algo: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem”.

Livremente inspirado em texto e matéria de Nathali Macedo - autora do livro "As Mulheres que Possuo", feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. 

23 mulheres inspiradoras que tornaram 2016 um ano melhor. Por Nathali Macedo

Retrospectiva 2016 que vale lembrar!
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Gláucia Lima, é militante social, professora, auditora e escritora. Editora do Blog Ser ¡Voz!   https://t.co/NDcvjPsBJF  Espaço que abriga todo Ser, toda Voz. 
Coordenadora do FMFi – Fórum de Mulheres no Fisco - mulheresnofisco@gmail.com  / http://forumdemulheresnofisco.blogspot.com.br/
Presidente do InsTI – Instituto Tonny Ítalo http://www.institutotonnyitalo.org/
Diretora de Educação e Cultura da Casa da Amizade Brasil/Cuba - CE

_imagem: Gláucia Lima